20 anos a construir valor consciente

Celebrar 20 anos de atividade não é um exercício de nostalgia. É, acima de tudo, um momento de responsabilidade. Responsabilidade para reconhecer o percurso, compreender o que o tempo ensinou e assumir, com clareza, o papel que escolhemos desempenhar no futuro.
Ao longo de duas décadas, o Segmento Urbano atravessou ciclos muito distintos do setor da arquitectura e da construção. Momentos de crescimento, períodos de retração, mudanças profundas no mercado, na legislação, nas expectativas dos clientes e na forma como a sociedade olha para o território, para o ato de construir e para as pessoas que constroem.
Manter uma prática ativa e contínua durante 20 anos, num país onde a maioria das empresas não ultrapassa os primeiros cinco anos de vida, não é um dado adquirido. No setor da construção, marcado por forte volatilidade, ciclos curtos e práticas repetidas, a continuidade exige resiliência e escolhas conscientes. Nesse sentido, este percurso é também um ato de resistência. Não no sentido heróico, mas no compromisso persistente de fazer diferente num contexto onde, tantas vezes, se faz igual.
Este caminho foi, sobretudo, um processo de aprendizagem exigente. Moldou a nossa prática, a nossa cultura e a forma como tomamos decisões.
O que o tempo ensina a quem permanece no setor
A arquitectura e a construção são áreas onde o curto prazo tende a ser privilegiado. Prazos apertados, decisões apressadas, pressão financeira e uma fragmentação crescente entre quem concebe, quem decide e quem executa conduzem frequentemente a cadeias longas de responsabilidade diluída.
Com o tempo, torna-se evidente que muitas das perdas de valor - económicas, espaciais e humanas - não surgem no fim do processo, mas logo nas fases iniciais. São consequências de decisões tomadas sem informação suficiente, sem integração entre disciplinas ou sem uma leitura cuidada do contexto. Essas perdas podem ser significativamente reduzidas quando existem processos claros e projetos bem instruídos, capazes de considerar, desde o início, as principais variáveis envolvidas.
Duas décadas de prática mostram que as decisões tomadas nas fases iniciais são determinantes. É nesse momento que se define a viabilidade, a qualidade, a durabilidade e o impacto real de um projeto ao longo do tempo. Quando essas decisões são informadas, integradas e assumidas com responsabilidade, o resultado tende a criar valor consistente e duradouro. Quando são apressadas ou desconectadas da realidade do território, das pessoas e dos meios disponíveis, o custo manifesta-se mais tarde - muitas vezes de forma amplificada e difícil de reverter.
Este entendimento sempre fez parte da forma de pensar do Segmento Urbano. No entanto, foi a prática continuada, no contexto específico do setor em Portugal, que conduziu o atelier a uma evolução clara: de uma lógica de resposta imediata para uma lógica de critério. Hoje, esse é um compromisso assumido, tanto internamente como na relação com os clientes. Trabalhamos a partir de uma abordagem integrada, técnica e humana, conscientes das consequências económicas, espaciais e sociais de cada decisão tomada.
“Muitas das perdas de valor não acontecem no fim do processo, mas logo no início. É por isso que defendemos uma prática consciente, integrada e responsável desde as primeiras decisões. ”
- Maria João Correia, CEO e Fundadora, Segmento Urbano
Evoluir como prática, não apenas como estrutura
Ao longo destes 20 anos, a evolução do Segmento Urbano não se fez apenas pela escala ou número de projetos. Fez-se, sobretudo, pela transformação da forma como olhamos para o território, para o cliente e para o papel do arquiteto e do construtor. Uma forma de estar que alia experiência, escuta e reflexão crítica.
Com o tempo, tornamo-nos mais seletivos. Clarificamos o tipo de projetos onde conseguimos acrescentar verdadeiro valor e assumimos que crescer de forma sustentável implica dizer não a caminhos que não respeitam os nossos princípios ou que comprometem a qualidade do resultado.
Esta maturidade refletiu-se também na forma como estruturamos a nossa atuação. A integração entre arquitetura, engenharia, construção, consultoria estratégica e, mais recentemente, formação, não é um exercício de diversificação. É uma resposta consciente a um setor excessivamente fragmentado, onde a falta de alinhamento gera risco, desperdício e perda de valor.
Arquitetura do Ser. Uma síntese de percurso
A abordagem a que chamamos Arquitetura do Ser não surgiu como um conceito teórico desenhado em gabinete. É o resultado de anos de prática, observação e reflexão crítica sobre o impacto dos espaços na vida das pessoas. Uma filosofia que se formou no terreno e que, em 2025, passou a ser assumida de forma explícita e diferenciadora na atuação do Segmento Urbano.

Na sua base está a convicção de que cada projeto nasce da identidade do terreno, do propósito do cliente e do lugar onde se insere. Não se impõe. Revela-se.
Esta abordagem implica escuta, leitura profunda do contexto e responsabilidade pelas consequências das decisões tomadas. Vai além da forma, do ego, do objeto construído ou da resposta imediata a um programa.
Ao longo de 20 anos, tornou-se claro que a arquitetura não é neutra.
Influencia comportamentos, bem-estar, relações e a forma como habitamos o mundo. A Arquitetura do Ser assume essa responsabilidade e coloca no centro do processo o ser humano, sem dissociar essa dimensão da viabilidade económica, da técnica ou da ética profissional.
Este princípio é hoje um pilar estruturante da forma como o Segmento Urbano define critérios, projeta e atua.
Inovação como consequência do percurso
A inovação sempre fez parte do percurso do Segmento Urbano. Desde a adoção precoce de BIM, à experimentação contínua de novas tecnologias, processos, técnicas e materiais. Esta abertura surge como resposta a problemas reais e como ferramenta para suportar decisões mais informadas.
Em 2025, esta abordagem tomou corpo em duas novas frentes de atuação - o Land Staging e o Build Lab - como consequência natural do percurso desenvolvido.
O Land Staging intervém antes da construção. Permite ler o território de forma estratégica, revelar o potencial real de um terreno e apoiar decisões informadas logo nas fases iniciais. Num mercado frequentemente opaco, esta abordagem traz clareza, transparência e proteção de valor.
O Build Lab surge como resposta a um desafio estrutural do setor da construção: a escassez de mão de obra qualificada e a desvalorização social e cultural associada a muitas profissões técnicas. Mais do que formação, é um espaço de qualificação, responsabilidade e valorização do saber prático, dirigido a diferentes perfis técnicos - da obra ao projeto - onde a experiência de terreno se cruza com ferramentas contemporâneas, como o BIM, promovendo uma ligação mais consciente entre conceção, decisão e execução, alinhado com uma visão de futuro sustentável para o setor.
Estas iniciativas são a continuação lógica de uma prática que sempre procurou pensar diferente, integrando reflexão e execução, procurando impacto real.
Valores que orientam o próximo ciclo
Chegar aos 20 anos obriga a clarificar valores, não a reinventá-los. Ética, rigor, responsabilidade, humanidade e visão sempre estiveram presentes no ADN do Segmento Urbano. O que muda neste novo ciclo é a forma como esses valores se tornam mais explícitos e orientam, de forma clara, a nossa atuação futura.
O próximo ciclo não é sobre crescimento acelerado a todo o custo. É sobre crescimento consciente. Sobre assumir um papel mais ativo na transformação do setor, contribuindo para uma cultura de maior literacia técnica, decisões informadas e práticas mais responsáveis.
Transformar um setor não acontece de forma imediata. Exige tempo, consistência, comunicação, colaboração e coerência entre discurso e prática. Esse é o nosso compromisso.

“O novo ciclo que se inicia em 2026 é marcado pela coragem de sermos diferentes.“
- Maria João Correia, CEO e Fundadora, Segmento Urbano
Fecho de ciclo. Início de nova fase.
Estes 20 anos representam o fecho de um ciclo de consolidação e aprendizagem profunda. O início desta nova fase do Segmento Urbano assenta na mesma base que sempre nos orientou - o respeito pelo território, pelas pessoas e pelo impacto das decisões tomadas.
O compromisso do Segmento Urbano é continuar a demonstrar, projeto a projeto, que é possível criar valor real quando se atua com método, critério e consciência.
Porque construir valor não é apenas erguer espaços.
É assumir, com responsabilidade, as consequências de os criar.
Ver o vídeo institucional dos 20 anos.

